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The Legend of Zelda: Breath of the WildReview
hero

Abra os olhos

Role para despertar

Review de The Legend of Zelda: Breath of the Wild

O mapa não existe para ser limpo. Existe para ser explorado.

logo switchNintendo Switchlogo switch2Nintendo Switch 2 EditionReview por Menino Neitam
Capa de The Legend of Zelda: Breath of the Wild para Nintendo Switch
Arte de The Legend of Zelda: Breath of the Wild Nintendo Switch 2 Edition
Nintendo Switch 2 Edition
Capa e ficha técnica

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Desenvolvimento
Nintendo EPD
Publicação
Nintendo
Direção
Hidemaro Fujibayashi
Produção
Eiji Aonuma
Gênero
Ação e aventura em mundo aberto
Jogadores
1
logo switchNintendo Switch
Lançamento3 de março de 2017

Plataforma analisada: Nintendo Switch.

logo switch2Nintendo Switch 2 Edition
Lançamento5 de junho de 2025

Plataforma analisada: Nintendo Switch 2.

Analisado nas duas versões por Menino Neitam

01

O Despertar

Cem anos depois, Hyrule espera

Santuário da Ressurreição

Um reino inteiro, logo depois da primeira porta

Um Zelda que teve coragem de abandonar várias certezas

Existe algo muito estranho nos primeiros minutos de Breath of the Wild. Link acorda sem praticamente nada, sai de uma estrutura desconhecida e, pouco depois, o jogo simplesmente coloca Hyrule diante dele. Não aparece uma sequência interminável dizendo para onde ir. Não há uma fila de personagens segurando sua mão até você aprender cada sistema. Há uma montanha, algumas ruínas, inimigos à distância e um mundo enorme aparentemente esperando para descobrir qual será sua primeira decisão. Foi aí que percebi que este Zelda não estava interessado em apenas modernizar a fórmula da franquia. A Nintendo queria desmontá la e descobrir quais partes realmente precisavam continuar existindo.

A sensação de liberdade aparece muito cedo. Depois de concluir a região inicial e obter as ferramentas necessárias, praticamente todo o reino está disponível. Você pode seguir a aventura principal, procurar uma vila, escalar uma montanha que chamou sua atenção ou simplesmente desaparecer em uma direção aleatória durante horas. Algumas regiões provavelmente vão acabar matando Link rapidamente porque o equipamento ainda não é suficiente, mas o jogo quase nunca diz que você não pode tentar. Essa diferença entre impedir o jogador e deixá lo descobrir seus próprios limites define boa parte da experiência.

Menino Neitam
02

Hyrule

Um reino que sobreviveu à calamidade

Cem anos depois da calamidade

Bonita, silenciosa e cheia de ruínas

Hyrule é o personagem mais importante da aventura

Breath of the Wild possui uma Hyrule muito diferente daquela encontrada em diversos capítulos anteriores. O reino já perdeu sua grande batalha. Link acorda cem anos depois da calamidade e encontra um mundo que aprendeu a continuar existindo entre ruínas, máquinas abandonadas e pequenas comunidades que sobreviveram ao desastre. É um cenário bonito, mas existe uma tristeza constante na paisagem.

Às vezes você encontra as ruínas de alguma construção no meio de uma floresta e não existe ninguém para explicar detalhadamente o que aconteceu ali. O lugar simplesmente está abandonado. A vegetação cresceu ao redor das paredes, objetos permanecem espalhados e cabe ao jogador imaginar parte daquela história. Essa abordagem dá um peso especial à exploração.

A Nintendo não precisa colocar um baú extraordinário no topo de cada montanha para justificar a subida. Em muitos momentos, chegar até lá e enxergar uma nova região já funciona como recompensa.

Menino Neitam
Link a cavalo em direção ao Castelo de Hyrule
O castelo está à vista desde o começo
Sheikah Slate · Mapa

Mapa de Hyrule

Arraste para explorar e use o zoom para ler o nome de cada torre, santuário e região.

  • 120Santuários
  • 15Torres Sheikah
  • 4Bestas Divinas
  • 900Sementes Korok
Mapa completo de Hyrule em Breath of the Wild com torres, santuários e regiões
03

Exploração

Escale, plane e descubra

Resistência, chuva e paraglider

Se dá para ver, dá para tentar subir

Poder subir quase em qualquer lugar muda tudo

A escalada parece uma mecânica simples até você perceber quanto ela altera a estrutura de um mundo aberto. Montanhas deixam de ser paredes invisíveis. Uma construção enorme não é apenas decoração. Um caminho desenhado pelo mapa pode ser ignorado porque existe uma encosta logo ao lado.

A principal limitação é a resistência de Link, e essa escolha é muito inteligente. Em vez de decidir artificialmente quais paredes podem ser escaladas, o jogo pergunta se você possui energia suficiente para chegar ao topo. Isso torna cada aumento de stamina importante não apenas durante combate, mas para a própria exploração.

Com o tempo, comecei a olhar para o terreno e calcular rotas. Talvez seja possível alcançar aquela parte da montanha diretamente. Talvez seja melhor encontrar um ponto mais alto e utilizar o paraglider. Talvez exista um caminho que ainda não descobri.

O jogo cria perguntas constantemente e quase nunca obriga o jogador a responder da mesma forma.

Menino Neitam

A natureza também joga contra você

Hyrule não é apenas um grande cenário. Temperatura, chuva, eletricidade, fogo e outros elementos possuem consequências reais. Entrar em uma região extremamente fria sem roupa apropriada ou comida capaz de proteger Link rapidamente vira um problema. Áreas quentes exigem outra preparação. Durante tempestades, equipamentos metálicos podem transformar o protagonista no lugar menos indicado para um raio cair.

Essas regras ajudam a vender a sensação de que o mundo existe independentemente do jogador. Também criam algumas situações irritantes. Escalar durante uma chuva pode ser extremamente frustrante, principalmente quando você já está quase chegando ao destino e Link começa a deslizar pela parede. Não vou fingir que achei divertido todas as vezes.

Ao mesmo tempo, é justamente esse tipo de inconveniência que dá personalidade ao ambiente. Hyrule não está tentando facilitar sua viagem.

Menino Neitam
04

Santuários e Bestas Divinas

Pequenos desafios, máquinas gigantes

Dezenas de desafios e quatro gigantes

Cada santuário é uma pequena descoberta

Os Santuários mudaram completamente a ideia de dungeon

As grandes dungeons tradicionais foram reduzidas em quantidade e substituídas em boa parte por dezenas de Santuários espalhados pelo mapa. Eles funcionam como pequenos desafios independentes. Alguns testam combate. Outros são puzzles envolvendo física, bombas, magnetismo, gelo ou manipulação de objetos. Há ainda Santuários cuja verdadeira dificuldade está em descobrir como entrar neles.

Concluir um desses locais oferece recursos utilizados para ampliar vida ou resistência e também libera um ponto de viagem rápida. Por isso, mesmo encontrar um Santuário quando você não pretende completá lo imediatamente já é útil.

O mais interessante é como esses desafios quebram a jornada em pequenas descobertas. Você pode estar atravessando uma região completamente distante da campanha principal, perceber alguma coisa estranha na paisagem e acabar passando vinte minutos tentando descobrir se existe um Santuário escondido ali.

Nem todos possuem a mesma qualidade, mas os melhores estão entre meus puzzles favoritos dessa fase de Zelda.

Menino Neitam

As Bestas Divinas são inteligentes, mas deixam saudade das dungeons antigas

As quatro Bestas Divinas assumem o papel das grandes dungeons principais. Existe uma ideia muito boa por trás delas. Cada estrutura pode ser manipulada de alguma forma, mudando partes do próprio cenário e alterando os caminhos disponíveis. É uma maneira interessante de transformar a dungeon inteira em parte do puzzle.

O problema é que visualmente elas compartilham uma identidade muito semelhante. Isso reduz um pouco aquela expectativa que os Zeldas antigos criavam quando você finalmente chegava a uma nova grande dungeon e não fazia ideia do que encontraria lá dentro. Também são relativamente compactas.

Não considero as Bestas Divinas ruins. Pelo contrário, algumas possuem puzzles excelentes. Mas é um dos poucos elementos em que senti falta da personalidade individual dos antigos templos da franquia.

Menino Neitam
05

Runas e Combate

Ferramentas cedo, perigo sempre

Bombas, Magnesis, Stasis e Cryonis

A ferramenta certa nunca foi o problema

  • Bombas
  • Magnesis
  • Stasis
  • Cryonis

As runas entregam praticamente todas as ferramentas logo no começo

Outra grande mudança está na progressão. Tradicionalmente, Zelda utiliza novos equipamentos para abrir caminhos que antes eram impossíveis. Breath of the Wild quebra essa lógica entregando cedo as principais runas que serão utilizadas durante toda a aventura.

Bombas, magnetismo, Stasis e Cryonis permanecem relevantes porque o jogo não depende de simplesmente ter a ferramenta certa. O desafio está em descobrir como utilizá la. Isso também abre espaço para soluções que parecem erradas e mesmo assim funcionam. Foi uma das coisas de que mais gostei.

Às vezes eu resolvia um puzzle e ficava com a sensação de que aquela definitivamente não era a solução imaginada pelos desenvolvedores. Só que o jogo aceitava. Breath of the Wild parece confiar bastante que regras consistentes são mais interessantes do que respostas únicas.

Combater pode ser muito mais perigoso do que parece

Link não começa sua aventura como uma máquina de guerra. Especialmente nas primeiras horas, inimigos aparentemente comuns conseguem remover uma quantidade assustadora de vida. Encontrar alguma criatura mais poderosa cedo demais pode acabar em poucos segundos. Isso faz com que preparação tenha importância.

Uma luta pode ser facilitada por comida, armadura apropriada, bons equipamentos ou simplesmente pela decisão de observar o acampamento antes de atacar. Também é possível utilizar o próprio cenário. Pedras podem ser empurradas, barris podem explodir e objetos metálicos podem interagir com determinados sistemas do mundo.

O combate básico continua reconhecível para qualquer pessoa que já tenha jogado Zelda, mas esquivas perfeitas, contra ataques e o uso criativo das runas adicionam bastante profundidade.

Menino Neitam

Sim, as armas quebram bastante

É impossível falar de Breath of the Wild sem mencionar durabilidade. Espadas, lanças, arcos e escudos possuem vida útil limitada e podem quebrar durante o combate. No começo, isso me incomodou. Encontrar uma arma aparentemente excelente e perder o item pouco depois gera aquela vontade de guardar tudo para uma batalha que talvez nunca aconteça. Depois de algumas horas, minha relação com o sistema mudou.

Armas aparecem constantemente, então guardar cada peça especial deixa de fazer sentido. O jogo quer que você troque, improvise e utilize aquilo que possui naquele momento. Ainda não acho o sistema perfeito. Existem armas que quebram rápido demais e a administração de inventário pode se tornar cansativa.

Mas entendo o que ele acrescenta à proposta. Breath of the Wild não quer que o jogador encontre uma espada ótima nas primeiras horas e ignore todo o restante do arsenal. Ele força adaptação.

Menino Neitam
Link enfrentando Bokoblins em um acampamento
Observar o acampamento antes de atacar faz diferença
06

Cozinha e Vilas

Panelas, estábulos e refúgios

Ingredientes, elixires e estábulos

Explorar alimenta a próxima exploração

Cozinhar faz parte da preparação

Comida substitui boa parte do sistema tradicional de recuperação. Link coleta frutas, cogumelos, carnes, ervas e inúmeros outros ingredientes espalhados pelo mundo. Misturá los em uma panela produz refeições que recuperam vida ou entregam efeitos temporários. Há espaço para experimentação.

Você descobre combinações aos poucos, aprende quais ingredientes possuem determinados efeitos e começa a preparar pratos antes de visitar regiões mais perigosas. Elixires funcionam de maneira semelhante utilizando partes de monstros e pequenos animais.

O sistema não é profundamente complexo, mas conversa muito bem com a ideia central do jogo: explorar fornece recursos e esses recursos deixam Link mais preparado para explorar ainda mais.

Menino Neitam

As cidades parecem pequenos refúgios

Grande parte de Hyrule transmite solidão. Por isso, chegar a uma vila depois de muito tempo explorando produz uma sensação muito agradável. De repente existem pessoas conversando, lojas, casas, crianças, pequenas histórias e missões secundárias.

Os NPCs continuam carregando aquele humor estranho e carismático típico da Nintendo. Alguns possuem rotinas, outros oferecem pequenos trabalhos e muitos simplesmente existem para tornar aquele lugar convincente. Os estábulos cumprem uma função parecida nas estradas.

Eles são pontos de descanso no meio de longas viagens, lugares para encontrar informações, recuperar recursos ou registrar cavalos. Esses espaços fazem Hyrule parecer um reino sobrevivendo à calamidade em vez de apenas um mapa coberto por inimigos.

Menino Neitam
07

História

Memórias espalhadas pelo reino

Calamity Ganon, Zelda e os Campeões

O passado está escondido no mapa

A história precisa ser procurada

A narrativa principal é relativamente simples. Calamity Ganon tomou Hyrule. Zelda continua resistindo. Link acorda depois de cem anos e precisa recuperar suas forças. Mas grande parte do peso emocional está escondida no passado. Encontrar memórias espalhadas pelo mundo permite reconstruir a relação entre Link, Zelda e os Campeões antes do desastre. Gosto bastante dessa ideia porque a história acompanha a própria estrutura da exploração.

Você não recebe necessariamente todas as informações na ordem cronológica. Descobre pedaços e gradualmente entende quem aquelas pessoas eram. Por outro lado, essa estrutura também faz com que jogadores focados apenas nos objetivos principais possam terminar a aventura sem contato com algumas das melhores cenas. É uma consequência inevitável de colocar narrativa e liberdade no mesmo espaço.

Menino Neitam

O objetivo final está sempre esperando

Uma das coisas mais interessantes é que Ganon não aparece apenas no final depois que todas as caixas de uma lista foram preenchidas. Hyrule Castle está diante do jogador desde cedo. A ameaça está ali. Tecnicamente, é possível ignorar uma quantidade gigantesca do jogo e partir para o confronto muito antes do esperado. Eu não quis fazer isso. E é aí que Breath of the Wild encontra uma das suas melhores ideias. Preparar Link não é apenas aumentar números.

Cada Santuário, arma, refeição, memória e região explorada faz com que a decisão de finalmente caminhar em direção ao castelo pareça pessoal. Você escolhe quando está pronto.

Menino Neitam
Compêndio de Hyrule

Rostos que ficam com você

Nº 001
Link

Link

O cavaleiro que acordou sem memórias

Desperta no Santuário da Ressurreição depois de cem anos, sem lembranças e quase sem nada nas mãos. Cada passo seguinte é uma escolha de quem joga.

Nº 002
Zelda

Zelda

A princesa que segura a calamidade

Resiste há cem anos dentro do Castelo de Hyrule, contendo Calamity Ganon. As memórias espalhadas pelo reino contam quem ela era antes do desastre.

Nº 003
Daruk

Daruk

O Campeão Goron

Piloto da Besta Divina Vah Rudania, na Montanha da Morte. Forte, barulhento e generoso, protege os amigos com uma barreira que nenhum golpe atravessa.

Nº 004
Ganondorf

Ganondorf

A origem da calamidade

O mal que voltou como Calamity Ganon e tomou o Castelo de Hyrule cem anos antes do despertar de Link. Mesmo de longe, a ameaça fica visível no horizonte durante toda a aventura.

Nº 005
Velho Misterioso

Velho Misterioso

O guia do Grande Planalto

O primeiro rosto que Link encontra depois de acordar. Ensina o básico da sobrevivência no Grande Planalto e guarda um segredo sobre o passado de Hyrule.

08

Arte e Som

Uma pintura que respira

Guache, luz de fim de tarde e piano

Feito para parecer pintado à mão

A direção artística carrega o hardware nas costas

Breath of the Wild não tenta competir pelo realismo. Essa foi uma decisão perfeita para o Nintendo Switch. A direção artística utiliza cores suaves, personagens estilizados e paisagens que frequentemente parecem pinturas em movimento. O resultado continua bonito mesmo quando você consegue enxergar limitações técnicas. E elas existem.

No modo TV, determinadas bordas e texturas deixam a resolução mais evidente. Também há quedas de desempenho em regiões específicas ou quando muita coisa acontece simultaneamente. A Floresta Korok é provavelmente um dos exemplos mais famosos.

Nada disso chegou a impedir minha experiência, mas fica claro em alguns momentos que o jogo está exigindo muito do hardware. Por outro lado, jogar algo dessa escala no modo portátil ainda é impressionante.

Menino Neitam

O silêncio também faz parte da trilha

A música é muito mais discreta do que em vários Zeldas anteriores. No começo isso pode parecer estranho. Explorar Hyrule durante minutos apenas com vento, animais e pequenos acordes de piano cria uma ambientação bastante diferente daquelas grandes melodias que normalmente associamos à série. Com o tempo, percebi o quanto essa decisão combina com o mundo. Breath of the Wild é frequentemente uma aventura solitária. A trilha sabe desaparecer.

E justamente por isso, quando uma música realmente assume o primeiro plano, ela ganha muito mais impacto.

Menino Neitam
Álbum da Sheikah Slate

As artes da tela inicial

01Ao entardecerTela inicial · Nintendo Switch 2 Edition
02Guardião despertoTela inicial · Nintendo Switch 2 Edition
03Hyrule inteira à vistaTela inicial · Nintendo Switch 2 Edition
09

Switch vs Switch 2

O mesmo jogo, outra sensação

Nintendo Switch 2 Edition

Agora o hardware deixou de atrapalhar

logo switchSwitch 30 FPS
logo switch2Switch 2 60 FPS
Nintendo SwitchNintendo Switch 2 Edition
Taxa de quadros30 FPS60 FPS
Resolução na TV900p1440p
Resolução portátil720paté 1080p
HDRNãoSim
CarregamentosPadrãoMuito mais rápidos
Espaços de save12
Zelda Notes–Sim, no app Nintendo Switch
Expansion PassVendido à parteVendido à parte
logo switch2Review · Nintendo Switch 2

O jogo continua o mesmo. A sensação de jogá lo, não

Existe uma imagem de Breath of the Wild que provavelmente ficou gravada na memória de muita gente. Link sai do Santuário da Ressurreição, corre em direção à borda de um penhasco e Hyrule inteira aparece diante dele. No Nintendo Switch original, aquela cena já era impressionante. No Switch 2, ela finalmente acontece com a clareza e a fluidez que parecem combinar com a ambição daquele mundo. Essa é a melhor maneira que encontrei para explicar esta edição. Não espere uma nova campanha.

Não espere templos inéditos, uma reconstrução gráfica ou mudanças profundas nas mecânicas. Breath of the Wild Nintendo Switch 2 Edition continua sendo o mesmo jogo lançado em 2017. Só que agora o hardware deixou de atrapalhar.

60 FPS fazem uma diferença enorme

A mudança mais importante está na taxa de quadros. Jogar Breath of the Wild a 60 FPS altera imediatamente a sensação de movimentação. Girar a câmera, correr por uma floresta, utilizar o paraglider ou enfrentar um grupo de inimigos parece muito mais suave. Combate também se beneficia.

Esquivas, parries e movimentos rápidos ganham uma clareza que não existia da mesma maneira no console anterior. É o tipo de melhoria que parece apenas técnica até você voltar para a versão original. A diferença então fica evidente.

Regiões que anteriormente pressionavam bastante o Switch também deixam de causar aquela preocupação com desempenho. A aventura parece muito mais consistente, mesmo quando há inimigos, efeitos e física acontecendo ao mesmo tempo. É curioso perceber que um jogo de 2017 consegue parecer mais moderno simplesmente por finalmente operar com essa folga.

Hyrule ganhou definição

A resolução maior é a segunda grande diferença. Do alto das torres, enxergar montanhas, florestas e construções distantes é muito mais agradável. A imagem possui menos suavidade e elementos ao longe ficam mais fáceis de identificar.

Isso combina perfeitamente com Breath of the Wild porque observar o horizonte sempre fez parte da jogabilidade. Você sobe em algum lugar alto justamente para procurar o próximo destino. Quanto melhor consegue enxergar, melhor essa mecânica funciona.

HDR também valoriza bastante a direção artística em telas compatíveis. Cores ganham mais presença, efeitos luminosos se destacam e situações como Blood Moon ou explosões ficam ainda mais bonitas. Não é uma transformação. É uma valorização.

Menino Neitam
logo switch2Review · Nintendo Switch 2

A resolução também revela a idade de algumas coisas

Existe uma consequência inevitável. Quando a imagem fica muito mais limpa, certas texturas deixam de conseguir esconder sua idade. Rochas, vegetação e alguns detalhes de cenário podem parecer bastante simples quando observados de perto. Isso não acontecia com a mesma intensidade em 2017 porque a resolução inferior acabava mascarando parte dessas limitações. Não vejo isso como um problema grave. A direção artística continua forte o suficiente para carregar o conjunto. Mas é um lembrete importante de que não estamos diante de um remake. O Switch 2 está mostrando melhor os mesmos assets. Inclusive aqueles que já possuem quase uma década.

Carregamentos menores deixam Hyrule ainda mais agradável

Viagens rápidas e entradas em determinadas áreas agora acontecem com espera muito menor. Nenhuma dessas telas era longa o suficiente para destruir o ritmo originalmente, mas Breath of the Wild é um jogo de dezenas de horas. Economizar alguns segundos repetidamente acaba fazendo diferença. O mais importante é a sensação geral. Tudo parece responder mais rápido.

Abrir o jogo, carregar um save, viajar entre regiões e retornar à exploração envolve menos interrupções. É exatamente o tipo de melhoria que não aparece muito bem em screenshots, mas se torna difícil de abandonar depois de algumas horas.

Um segundo save parece pequeno até você querer começar novamente

Uma das novidades mais simples também é uma das mais úteis para veteranos. Agora existe um segundo espaço de salvamento. Breath of the Wild é um jogo no qual uma única campanha pode carregar centenas de horas, itens raros e praticamente uma vida inteira de exploração. Apagar isso para começar novamente nunca pareceu uma decisão muito convidativa. A nova opção resolve o problema.

Você consegue manter aquela Hyrule antiga intacta e ainda voltar ao começo para experimentar a jornada novamente. Não vende uma edição por conta própria. Mas deveria ter existido desde o início.

Menino Neitam
shot castle
10

Zelda Notes

O aplicativo ao lado de Hyrule

Voice MemoriesComentários de Zelda pelo mapa
NavegaçãoSantuários e Koroks
Bônus diáriosPequenas vantagens
Fotos e estatísticasDados da campanha
Compartilhar itensCom outros jogadores
Aplicativo Nintendo Switch

Boas ideias, no lugar errado

Zelda Notes tenta colocar mais coisas em Hyrule

A maior parte das novidades além das melhorias técnicas está no Zelda Notes, dentro do aplicativo Nintendo Switch para smartphones. Há várias funções diferentes. Voice Memories adiciona novos comentários de Zelda associados a determinados locais do mapa. São pequenos fragmentos de contexto e memória que acrescentam alguma presença à personagem enquanto Link explora o reino. Não espere revelações gigantescas. São complementos de ambientação. Para quem gosta de lore, entretanto, existe um bom motivo para procurar todos.

Navegação é provavelmente a função mais útil

Zelda Notes também consegue acompanhar sua posição e auxiliar na procura por determinados elementos. Isso é especialmente útil para quem decidiu fazer aquilo que provavelmente deveria exigir acompanhamento psicológico: encontrar absolutamente todos os Koroks. Também ajuda a localizar Santuários e outros pontos de interesse. É uma função muito boa para completionistas.

Ao mesmo tempo, existe algo bastante estranho em ouvir instruções de navegação enquanto você está atravessando um reino de fantasia. Não chega a destruir a experiência, mas não combina exatamente com aquele sentimento de exploração natural que sempre foi uma das maiores qualidades do jogo.

Por isso, considero melhor utilizar a função apenas quando realmente estou procurando alguma coisa específica.

Existem bônus, estatísticas e compartilhamento

Outras ferramentas complementam o pacote. É possível consultar dados da campanha, comparar determinadas estatísticas, editar fotos e compartilhar itens com outros jogadores. Há também bônus diários que podem entregar pequenas vantagens e uma função relacionada aos amiibo. Nada disso muda radicalmente Breath of the Wild. Algumas dessas opções provavelmente serão ignoradas por grande parte dos jogadores. Outras podem ser muito úteis para pessoas que pretendem alcançar 100 por cento. É um pacote de extras razoável. O problema está menos nas funções e mais em onde elas foram colocadas.

Menino Neitam

Eu gostaria que Zelda Notes estivesse dentro do jogo

Precisar de um smartphone para acessar esses recursos parece uma solução desnecessariamente complicada. Voice Memories poderiam perfeitamente existir dentro da própria interface de Breath of the Wild. Dados da campanha também. Navegação poderia ser uma opção extra do mapa.

Entendo a ideia de transformar o telefone em uma segunda tela, principalmente porque isso evita interromper o jogo para consultar informações. Mas Breath of the Wild é justamente uma experiência em que gosto de esquecer que existe alguma coisa fora de Hyrule. Ter um celular apitando ao lado não ajuda muito nessa missão. Felizmente, Zelda Notes é opcional. Se você não gostar da proposta, pode simplesmente ignorá lo.

A falta do Expansion Pass ainda é uma decisão estranha

Existe uma coisa que impede esta edição de parecer verdadeiramente completa. O conteúdo adicional lançado originalmente não vem automaticamente incluído apenas por se tratar da Nintendo Switch 2 Edition. Quem ainda não possui o Expansion Pass precisa adquiri lo separadamente.

Para uma edição atualizada de um jogo lançado em 2017, seria muito mais elegante ter todo o conteúdo reunido. Não torna a atualização ruim. Mas tira um pouco daquela ideia de versão definitiva em termos de conteúdo. Tecnicamente, esta é sem dúvida a melhor edição. Como pacote completo, poderia ter ido um pouco além.

Menino Neitam
11

Veredito

A nota final

Depois de tantos anos

Você escolhe quando está pronto

Veredito · Nintendo Switch

The Legend of Zelda: Breath of the Wild é um daqueles jogos cuja importância histórica acaba quase atrapalhando a conversa sobre o jogo em si. Sim, ele influenciou profundamente o gênero. Sim, mudou a direção de Zelda. Mas nada disso importaria tanto se explorar Hyrule não continuasse sendo tão divertido. O que mais permanece comigo não são números de Santuários ou quilômetros de mapa. São momentos. Chegar ao topo de uma montanha e enxergar alguma coisa estranha no horizonte.

Entrar em uma região sem roupa apropriada e perceber tarde demais que Link está congelando. Encontrar um inimigo claramente poderoso demais e decidir mesmo assim que talvez dê para vencer. Usar uma runa de uma forma que provavelmente não era aquela imaginada inicialmente. Breath of the Wild transformou curiosidade em mecânica. O mapa não existe para ser limpo. Existe para ser explorado.

Há imperfeições. Durabilidade divide opiniões, as Bestas Divinas não possuem a personalidade de alguns templos antigos e o Switch sofre tecnicamente em determinados momentos. Mesmo assim, poucas aventuras conseguem transmitir tanta liberdade sem transformar essa liberdade em vazio.

Menino Neitam

Veredito · Nintendo Switch 2 Edition

O mais interessante ao retornar depois de tantos anos é perceber que aquilo que realmente tornou o jogo especial continua funcionando. Não são os gráficos. Não são os 60 FPS. É olhar para uma montanha distante e decidir subir nela sem saber se existe alguma recompensa lá. É encontrar um Santuário por acidente. É sobreviver a um confronto que claramente começou cedo demais. É perceber que uma tempestade tornou seu equipamento metálico uma péssima ideia.

É jogar uma arma prestes a quebrar na cabeça de um Bokoblin simplesmente porque pareceu engraçado naquele momento. A atualização melhora a maneira como tudo isso é apresentado. Mas não é a razão pela qual continua divertido.

Quem nunca jogou deveria começar aqui

Para novos jogadores, a recomendação é extremamente simples. Se você possui um Nintendo Switch 2, esta é a versão que deveria jogar. A performance é muito melhor, a imagem é mais limpa e os carregamentos são mais rápidos. Não existe uma vantagem real em escolher deliberadamente a versão tecnicamente inferior.

E quem começa agora talvez tenha uma percepção bastante diferente daquela que tivemos em 2017. Certas ideias de Breath of the Wild foram absorvidas por inúmeros jogos ao longo dos anos. O impacto de novidade não pode ser recriado. Mas o design ainda é extraordinário.

E quem já terminou?

Essa resposta depende da sua relação com Hyrule. Não existe conteúdo suficiente aqui para justificar uma campanha inteira apenas para ver novidades. Voice Memories são interessantes, mas não transformam a história. Zelda Notes oferece recursos úteis, mas dificilmente alguém vai gastar outras cem horas apenas por causa deles. A razão para retornar é mais simples. Talvez você apenas queira jogar Breath of the Wild novamente. Nesse caso, nunca houve momento melhor.

Veredito

The Legend of Zelda: Breath of the Wild Nintendo Switch 2 Edition é exatamente o tipo de atualização que um jogo desse tamanho precisava. Não tenta reconstruir o que já funcionava. Resolve aquilo que o hardware anterior não conseguia acompanhar perfeitamente. 60 FPS mudam completamente a sensação de movimentação e combate. A resolução mais alta deixa Hyrule ainda mais agradável de observar. HDR valoriza a direção artística. Carregamentos rápidos eliminam pequenas interrupções.

O segundo save finalmente permite começar novamente sem aquela sensação de estar sacrificando anos de progresso. Zelda Notes é mais complicado. Existem boas ideias dentro do aplicativo, principalmente navegação e Voice Memories, mas preferia que esses recursos estivessem integrados diretamente ao jogo. A ausência do Expansion Pass no pacote também é uma oportunidade perdida.

Mesmo assim, estamos falando de melhorias ao redor de uma experiência que continua extraordinária. O Switch original mostrou que Breath of the Wild era possível. O Switch 2 mostra como ele sempre deveria ter rodado.

Menino Neitam
logo switchNintendo Switch
10/10
Prós
  • Hyrule é um dos mundos abertos mais interessantes e naturais de explorar.
  • Escalada, física e runas proporcionam enorme liberdade para resolver problemas.
  • Santuários oferecem uma quantidade impressionante de puzzles e descobertas.
  • Direção artística e ambientação continuam excepcionais.
Contras
  • Durabilidade das armas pode ser frustrante.
  • Bestas Divinas possuem pouca variedade visual entre si.
  • Há quedas perceptíveis de desempenho em algumas regiões.
  • Parte importante da narrativa pode ser facilmente ignorada.

Breath of the Wild teve coragem de questionar praticamente todas as regras que Zelda havia estabelecido durante décadas e encontrou algo especial do outro lado. No Nintendo Switch, suas limitações técnicas são perceptíveis, mas nunca maiores do que a sensação de descobrir Hyrule por conta própria.

logo switch2Nintendo Switch 2 Edition
10/10
Prós
  • 60 FPS transformam a fluidez da exploração e do combate.
  • Resolução superior e HDR valorizam bastante a direção artística.
  • Tempos de carregamento muito menores.
  • Segundo save e ferramentas do Zelda Notes oferecem bons recursos extras.
Contras
  • Texturas antigas ficam mais perceptíveis com a imagem mais nítida.
  • Zelda Notes depender de um smartphone quebra um pouco a imersão.
  • Algumas funções extras poderiam estar dentro do próprio jogo.
  • O Expansion Pass continua separado.

Breath of the Wild continua sendo um dos grandes marcos da Nintendo e sua Nintendo Switch 2 Edition é a forma mais agradável de experimentar Hyrule atualmente. Os extras poderiam ser melhor integrados e o DLC deveria fazer parte do pacote, mas tecnicamente nunca foi tão bom simplesmente sair do Santuário da Ressurreição e escolher qualquer direção.

Review por Menino Neitam

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