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Splatoon Raiders Review

Existe algo curioso em Splatoon Raiders que fica evidente logo nas primeiras horas: este não é simplesmente um novo capítulo da série tentando repetir a fórmula que já conhecemos. A Nintendo pegou personagens, criaturas, armas e toda a identidade visual construída ao longo de Splatoon e colocou tudo dentro de uma estrutura que, no papel, parecia improvável para a franquia. O resultado é uma experiência que mistura ação, exploração, progressão baseada em equipamentos e uma quantidade considerável de loot, criando uma aventura que consegue funcionar de maneira bastante independente dos jogos tradicionais da série.

No Nintendo Switch 2, Raiders apresenta uma proposta muito mais voltada para quem gosta de jogar no próprio ritmo. A campanha pode ser encarada sozinho, enquanto o multiplayer cooperativo permite reunir até quatro jogadores para enfrentar as missões juntos. Essa liberdade é importante porque o jogo não depende o tempo inteiro de uma equipe perfeita para funcionar. Existe espaço para experimentar, errar, trocar equipamentos, testar armas diferentes e voltar para uma missão depois de melhorar o personagem. E talvez seja justamente essa mudança de perspectiva que faça Raiders funcionar tão bem. Splatoon sempre teve uma identidade muito forte ligada às disputas multiplayer, mas aqui a tinta deixa de ser apenas uma ferramenta para dominar território e passa a fazer parte de um sistema maior de combate e progressão. O resultado é um jogo que ainda parece pertencer ao universo de Splatoon, mas que não tem medo de experimentar.

Uma aventura diferente para Deep Cut

A história coloca Deep Cut no centro da aventura. Shiver, Frye e Big Man acabam envolvidos em uma situação que os leva até as Ilhas Spirhalite, um ambiente bem diferente daquele que normalmente associamos à série. O jogador assume o controle de um personagem criado para a ocasião, conhecido como The Mechanic, e passa a explorar esse novo território enquanto tenta entender o que está acontecendo. A escolha de colocar um protagonista praticamente sem identidade própria acaba ajudando a experiência. Em vez de transformar a campanha em uma história totalmente centrada em um novo personagem cheio de características próprias, Raiders permite que o jogador seja uma espécie de peça dentro daquele mundo. Deep Cut funciona como uma presença constante durante a aventura, ajudando a dar personalidade para os acontecimentos e mantendo uma ligação clara com o universo que os fãs já conhecem. O mais interessante é que a narrativa não tenta competir com a ação. Ela existe para dar contexto à exploração e às descobertas, mas não fica interrompendo a experiência a todo momento. Boa parte da construção daquele mundo acontece enquanto você avança pelas ilhas, encontra informações, descobre objetos e entende aos poucos o que aconteceu naquele lugar.

Esse tipo de narrativa combina bastante com a proposta do jogo. Raiders quer que o jogador continue explorando, encontre novos equipamentos e volte para áreas anteriores em busca de melhorias. Por isso, entregar o mundo aos poucos, através de pequenas descobertas e elementos espalhados pelo cenário, acaba sendo mais eficiente do que transformar tudo em longas sequências expositivas.

A maior mudança está na forma de jogar

Se existe um ponto que define Splatoon Raiders, é a maneira como ele transforma o combate tradicional da franquia em algo muito mais próximo de um looter shooter. A comparação com jogos desse gênero é inevitável, mas Raiders não parece interessado em simplesmente copiar uma fórmula pronta. Ele pega alguns de seus princípios e tenta adaptá-los ao universo colorido de Splatoon. As missões são relativamente compactas e normalmente colocam o jogador diante de objetivos bem definidos. Você entra em uma área, enfrenta grupos de Salmonids, encontra recursos, procura recompensas e tenta sair dali mais forte do que entrou. Parece simples, mas a quantidade de possibilidades criadas pelos equipamentos faz com que uma missão possa ser bem diferente dependendo da configuração escolhida. O sistema de loot também ajuda bastante nesse processo. Armas e equipamentos possuem diferentes níveis de poder e características, fazendo com que encontrar uma recompensa realmente tenha algum significado. Não é apenas uma questão de pegar um item novo porque ele está disponível. Existe aquele momento de comparar o que acabou de encontrar com aquilo que você já está utilizando e decidir se vale a pena modificar a configuração. Essa sensação de crescimento é uma das partes mais satisfatórias de Raiders. O jogo constantemente apresenta alguma coisa nova para experimentar, e isso cria uma progressão que não depende somente de avançar na história. Mesmo quando uma missão não apresenta uma grande novidade narrativa, ela pode valer a pena simplesmente pela possibilidade de encontrar um equipamento melhor.

Apesar de todas as mudanças, Splatoon Raiders não esquece aquilo que torna a série tão gostosa de jogar: o combate. A movimentação é rápida, os confrontos são bastante dinâmicos e existe uma sensação constante de que ficar parado no lugar errado pode transformar uma situação tranquila em um problema enorme. A mira por movimento também contribui para essa sensação de agilidade. Quem já está acostumado com o sistema de controle de Splatoon encontra aqui uma adaptação bastante natural, enquanto jogadores que preferem uma abordagem mais tradicional podem optar por outros métodos de controle. O importante é que o combate não parece uma versão lenta ou pesada de Splatoon. As armas também ajudam a manter a variedade. Existem diferentes categorias e mais de uma centena de combinações e variações para experimentar ao longo da aventura. Isso faz com que o jogador tenha motivos reais para sair da zona de conforto. Uma configuração pode favorecer um estilo mais agressivo, enquanto outra pode ser mais interessante para quem prefere controlar melhor os espaços e atacar de maneira mais cuidadosa. Nem todas as opções têm exatamente o mesmo impacto, e algumas armas tradicionais podem acabar ficando menos interessantes dependendo da situação. Ainda assim, a variedade é suficientemente grande para que experimentar faça parte da diversão.

É aqui que Raiders começa a mostrar uma camada de profundidade que pode passar despercebida no início. O equipamento não serve apenas para aumentar números. Existem tanques de tinta, gadgets, modificadores, artefatos e diferentes possibilidades de combinação que permitem montar configurações mais específicas. Os tanques, por exemplo, ajudam a modificar a maneira como determinados confrontos são encarados. Os gadgets adicionam outras possibilidades ao combate e podem alterar bastante a forma como uma missão é conduzida. Já os artefatos entram nesse processo de construção de personagem e ajudam a direcionar o estilo escolhido. O resultado é um sistema que recompensa experimentação. Não existe apenas uma maneira de montar o personagem e seguir até o final. Conforme novos itens aparecem, o jogador começa naturalmente a pensar em combinações que possam funcionar melhor juntas. Esse aspecto também ganha importância depois que a campanha principal deixa de ser o único objetivo. Quando o jogador já possui equipamentos mais fortes, o interesse passa a estar em encontrar combinações melhores, testar builds e enfrentar desafios que exigem mais domínio dos sistemas.

As Ilhas Spirhalite são mais importantes do que parecem

A estrutura das ilhas também merece atenção porque Raiders não trata os cenários simplesmente como corredores entre uma missão e outra. Existem áreas para explorar, pequenos desafios, caminhos alternativos, objetos escondidos e elementos que ajudam a construir a identidade daquele mundo. A ambientação tem uma característica interessante de sobrevivência improvisada. Tudo parece ter sido adaptado ou reaproveitado de alguma maneira, o que combina com a situação dos personagens. O mundo não transmite a sensação de um lugar construído apenas para servir como arena de combate. Existem sinais de história e informações espalhadas que fazem o jogador perceber que existe algo maior acontecendo ali. Essa construção funciona especialmente bem quando combinada com os itens encontrados durante a exploração. Tesouros, informações e outros elementos ajudam a revelar detalhes sobre as ilhas e sobre aquilo que aconteceu antes da chegada dos personagens.

É uma abordagem que recompensa a curiosidade sem transformar a exploração em uma obrigação. Quem quiser seguir diretamente para as missões consegue fazer isso, mas quem decidir investigar cada canto encontra motivos para continuar olhando ao redor.

Salmonids em quantidade, mas não apenas como inimigos conhecidos

Os Salmonids continuam sendo uma parte fundamental da identidade de Splatoon Raiders. Só que aqui eles aparecem dentro de uma estrutura de combate muito mais voltada para confrontos constantes e progressão de equipamentos.Existe uma boa variedade de inimigos, e a presença de versões mais perigosas ajuda a impedir que os encontros fiquem completamente previsíveis. Conforme o jogador avança, os desafios passam a exigir mais atenção e uma utilização mais consciente das ferramentas disponíveis. Isso é importante porque Raiders não pode depender somente da quantidade de inimigos na tela. Se todos os confrontos fossem resolvidos exatamente da mesma maneira, o sistema de loot perderia parte da sua razão de existir. A variedade de ameaças faz com que algumas configurações sejam mais interessantes em determinadas situações.

Os confrontos mais fortes também funcionam como uma espécie de teste para aquilo que o jogador construiu. É nesse momento que uma build deixa de ser apenas uma coleção de números e começa realmente a mostrar sua utilidade. Uma das decisões mais acertadas da estrutura de Raiders está no tamanho das missões. Em vez de transformar cada objetivo em uma aventura gigantesca, o jogo trabalha bastante com experiências relativamente rápidas. Isso combina muito bem com a natureza da progressão. Você entra, completa o objetivo, coleta recompensas, volta para a base, melhora seu equipamento e decide o próximo passo. É um ciclo simples, mas extremamente fácil de repetir.

Esse formato também torna Raiders confortável para sessões curtas. Não é necessário reservar uma tarde inteira para sentir que alguma coisa foi conquistada. Mesmo uma sessão relativamente rápida pode resultar em uma arma nova, um equipamento melhor ou algum avanço na construção do personagem. Ao mesmo tempo, quem quiser se aprofundar encontra conteúdo suficiente para continuar jogando. A estrutura não termina quando os créditos aparecem, e é justamente depois desse ponto que algumas das possibilidades de construção começam a ganhar ainda mais importância. Raiders entende muito bem uma coisa fundamental dos looter shooters: encontrar algo novo precisa ser divertido. Se cada recompensa fosse apenas uma pequena alteração numérica, a progressão perderia rapidamente seu encanto. Aqui, o processo funciona porque existe sempre a possibilidade de uma recompensa mudar a forma como você joga. Uma arma diferente pode abrir espaço para uma nova estratégia. Um gadget pode tornar determinado tipo de encontro mais simples. Um artefato pode complementar uma configuração que você já estava tentando montar. O jogador começa a entrar naquele ciclo bastante conhecido de “só mais uma missão”. Você termina uma atividade, vê o que recebeu, percebe que existe uma possibilidade interessante de combinação e decide jogar mais uma vez para testar.Esse é exatamente o tipo de progressão que mantém Raiders funcionando depois que a novidade inicial desaparece.

O jogo não acaba quando a campanha termina

Um dos pontos que mais ajudam a experiência é a existência de conteúdo para depois da campanha. Novos níveis de dificuldade e desafios mais exigentes colocam os equipamentos construídos durante a aventura à prova. A dificuldade Spicy, em particular, funciona como uma maneira de aumentar o desafio para quem já domina melhor os sistemas. Nesse estágio, não basta apenas possuir equipamentos fortes. A combinação entre armas, tanques, gadgets e artefatos passa a fazer mais diferença. Esse conteúdo de fim de jogo também dá uma justificativa maior para continuar coletando equipamentos. Sem um objetivo posterior, o loot perderia boa parte do significado depois da história. Aqui, existe uma razão para continuar melhorando a configuração. É um modelo que conversa diretamente com jogadores que gostam de otimizar personagens e experimentar diferentes builds. Raiders pode começar como uma aventura relativamente acessível, mas possui espaço para quem quiser transformar a experiência em algo mais profundo.

Embora o multiplayer cooperativo seja uma das possibilidades do jogo, Raiders não passa a impressão de que o jogador está sendo punido por preferir jogar sozinho. Isso é particularmente importante porque a estrutura de looter shooter costuma estar muito associada à experiência em grupo. Aqui, a campanha consegue funcionar como uma aventura individual completa. Existe um companheiro robótico que auxilia durante os confrontos, e o jogador pode desenvolver sua própria maneira de enfrentar as missões sem depender constantemente de outras pessoas. Essa característica também torna o jogo interessante para quem gosta de RPGs de ação e experiências de progressão individual. A sensação é de que o multiplayer está ali para ampliar as possibilidades, e não para corrigir uma experiência solo incompleta. Para mim, esse equilíbrio é uma das características mais interessantes de Raiders. O jogo consegue abraçar a ideia de cooperação sem transformar a experiência individual em uma espécie de modo secundário.

O cooperativo acrescenta uma camada completamente diferente

Quando quatro jogadores entram juntos em uma missão, naturalmente a dinâmica muda. Combinar equipamentos, dividir funções e lidar com os inimigos de maneira coordenada pode transformar completamente o ritmo dos confrontos. O jogo também permite que jogadores recebam ajuda de outras pessoas, o que facilita encontrar companhia para determinadas atividades. Isso é uma solução interessante para um título que não quer depender exclusivamente de grupos fechados de amigos. Ao mesmo tempo, o cooperativo não parece ser obrigatório para aproveitar o conteúdo. Ele funciona como uma alternativa para quem quer experimentar Raiders de outra maneira. Essa flexibilidade combina com a própria estrutura do jogo. Você pode jogar sozinho durante a maior parte do tempo e, em outro momento, reunir amigos para enfrentar uma missão com uma configuração completamente diferente.

No Nintendo Switch 2, Splatoon Raiders consegue entregar uma apresentação bastante consistente. O jogo mantém uma performance estável e, principalmente, consegue preservar a velocidade necessária para que os confrontos não percam impacto.Isso faz diferença porque um jogo desse tipo depende muito da resposta dos controles. Com tantos inimigos, efeitos, disparos e elementos de tinta acontecendo ao mesmo tempo, qualquer instabilidade seria muito mais perceptível. A direção artística também continua sendo um dos grandes pontos fortes. Raiders consegue se distanciar visualmente de outros jogos da série sem abandonar a identidade de Splatoon. As ilhas possuem personalidade própria, os personagens continuam imediatamente reconhecíveis e os inimigos combinam bem com a proposta mais agressiva da aventura.Não é um jogo que tenta impressionar apenas através de realismo. A força está na direção de arte e na maneira como cores, formas e efeitos são utilizados para criar uma identidade visual própria.

Nem tudo funciona perfeitamente

Por mais que Raiders acerte bastante em sua proposta, existem alguns pontos que poderiam ter recebido mais atenção. A variedade estética dos equipamentos, por exemplo, não acompanha necessariamente a variedade funcional. É possível encontrar muitas opções para modificar a maneira de jogar, mas isso não significa que todas tenham o mesmo impacto visual. Também existe a questão de algumas armas tradicionais da franquia não encontrarem tanto espaço quanto poderiam dentro dessa nova estrutura. Como o jogo possui uma quantidade enorme de possibilidades, algumas escolhas acabam inevitavelmente sendo mais interessantes do que outras. Isso não destrói a experiência, mas mostra que a tentativa de transformar Splatoon em um looter shooter trouxe algumas consequências. O jogo precisa equilibrar a identidade original da franquia com uma estrutura que depende de equipamentos, números, raridades e combinações.Felizmente, esses problemas não são suficientes para tirar força da proposta principal.

Talvez o maior mérito de Splatoon Raiders seja justamente conseguir mudar bastante sem perder completamente a personalidade da série. Seria muito fácil criar um jogo de tiro com tinta, colocar Deep Cut na história e chamar isso de Splatoon. Raiders vai além. A movimentação continua carregando a energia característica da franquia. As armas ainda possuem aquele desenho exagerado e criativo. Os Salmonids continuam presentes. A tinta segue sendo uma parte importante da identidade visual e mecânica. Ao mesmo tempo, a progressão, a exploração e a estrutura de loot dão ao jogo uma personalidade própria.

Isso faz com que Raiders seja mais do que um experimento curioso. Ele mostra que o universo de Splatoon possui espaço para histórias e gêneros diferentes sem necessariamente precisar abandonar tudo aquilo que tornou a série conhecida.

Veredito

Splatoon Raiders é uma mudança de direção bastante ousada para a franquia, mas uma mudança que faz sentido quando todos os seus sistemas são observados em conjunto. A estrutura de looter shooter combina surpreendentemente bem com o combate rápido de Splatoon, enquanto a exploração das Ilhas Spirhalite cria um espaço interessante para apresentar uma aventura mais focada em progressão individual. No Nintendo Switch 2, o jogo também encontra uma plataforma capaz de entregar sua proposta com estabilidade, mantendo a ação rápida e a identidade visual colorida que esperamos de Splatoon. A campanha pode ser aproveitada sozinho, o cooperativo amplia as possibilidades e o conteúdo de pós jogo dá motivos para continuar experimentando equipamentos mesmo depois da história principal. Mais importante do que simplesmente colocar loot em Splatoon é o fato de Raiders conseguir fazer esse sistema parecer parte natural daquele universo. A progressão incentiva experimentação, o combate continua divertido, as missões possuem um ritmo que facilita sessões curtas e o endgame oferece espaço para quem quiser mergulhar de verdade nas builds.

Existem algumas limitações, especialmente na variedade estética dos equipamentos e no equilíbrio entre determinadas armas, mas elas não conseguem apagar o que funciona. Raiders é um daqueles jogos que começa parecendo uma experiência estranha dentro da franquia e, conforme seus sistemas vão se encaixando, passa a fazer cada vez mais sentido. Para quem sempre quis uma experiência de Splatoon mais voltada para campanha, exploração e evolução de personagem, existe aqui uma proposta que merece atenção. E para quem já gosta de looter shooters, Raiders apresenta uma maneira bastante diferente de aplicar essa fórmula.


REVIEW DO JOGO FEITA COM UM CÓDIGO DO JOGO CEDIDA GRATUITAMENTE PELA NINTENDO BRASIL, A QUAL AGRADEÇO.

Desempenho10
Gráficos10
Gameplay9
Trilha Sonora10

Positivo

• Combate rápido e divertido, mantendo a identidade de Splatoon.
• Sistema de loot e criação de builds bastante envolvente
• Campanha solo completa com cooperativo para até quatro jogadores.

Contra

– A variedade visual dos equipamentos poderia ser maior.

9
Nota

Menino Neitam

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