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Onimusha: Way of the Sword Review

Se existe algo que a comunidade de jogadores sempre implora e as grandes empresas hesitam em entregar é o resgate majestoso de franquias clássicas que definiram gerações. Depois de vinte longos anos acumulando poeira nos vastos arquivos da Capcom finalmente fomos agraciados com o incrivelmente ousado Onimusha Way of the Sword. Testando exaustivamente esta preciosidade no poderoso Xbox Series X a primeira coisa que fica cristalina é a coragem admirável e a visão artística dos desenvolvedores envolvidos no projeto. Eles tomaram a difícil decisão de deixar os antigos protagonistas descansarem em paz e apostaram todas as fichas em uma narrativa completamente inédita estrelando ninguém menos que o lendário espadachim Miyamoto Musashi. É o ponto de partida absolutamente perfeito tanto para os veteranos que jogaram os clássicos no passado distante quanto para você Nathan e todo o público novo que deseja apenas fatiar demônios com muito estilo fluidez e visuais de ponta sem se preocupar com bagagens narrativas antigas. O que realmente captura a atenção e fisga o jogador logo nas primeiras horas de campanha foi a escolha brilhante da aparência do nosso novo protagonista. A equipe de arte modelou o rosto e a postura de Musashi usando as feições exatas e os trejeitos marcantes do saudoso ator Toshiro Mifune um verdadeiro gênio imortal do cinema japonês clássico que brilhou nas obras de Akira Kurosawa. Eu confesso que costumo torcer o nariz para recriações digitais de atores que já nos deixaram pois o resultado costuma soar artificial mas aqui a homenagem foi feita com um respeito e uma sutileza simplesmente absurdos. O guerreiro entrega um carisma gigantesco mesmo sem abrir a boca para falar quase nada agindo como aquele típico espadachim durão vagabundo e ranzinza que no fundo esconde um coração de ouro. A cena inicial onde ele encara com cara de poucos amigos um grupo de crianças famintas pedindo seu último bolinho de arroz apenas para ceder quando um cachorrinho se junta a roda vende a personalidade dele mil vezes melhor do que qualquer roteiro expositivo gigante.

Mas vamos mergulhar fundo no que realmente importa em um título de ação visceral que é a pancadaria o peso das lâminas e a sensação de perigo constante. A curva de aprendizado aqui foi desenhada por mestres absolutos do gênero que sabem exatamente como prender a atenção do jogador sem sobrecarregar o cérebro. O jogo jamais arremessa todas as mecânicas na sua tela de uma vez só o que fatalmente geraria uma enorme confusão. Ao longo da jornada que dura em média umas vinte horas incrivelmente bem dosadas você vai sendo treinado de maneira totalmente gradativa e orgânica. A manopla mística que o Musashi carrega no braço permite absorver as almas brilhantes dos inimigos abatidos e isso dita absolutamente todo o ritmo da progressão de poderes. É imensamente gratificante notar como o próprio cenário e os monstros te induzem a usar uma esquiva inédita ou um bloqueio específico de forma natural integrando todos os movimentos como se fossem uma verdadeira coreografia mortal ensaiada a exaustão.

A joia da coroa desse sistema de batalha impecável atende pelo nome de Isshin e muda completamente a forma como você enxerga e aborda os confrontos diários. Basicamente trata se de um sistema de defesa perfeita extremamente punitivo e recompensador que exige uma precisão milimétrica dos seus reflexos e polegares. O jogo oferece quatro manobras defensivas distintas esquivas bloqueios deflexões e o glorioso contra golpe perfeito. Se você apertar o botão de ataque no milissegundo exato em que o inimigo for encostar a arma em você o Musashi desvia o golpe suavemente e responde com uma finalização devastadora e banhada em sangue. Essa maravilha técnica funciona contra espadadas violentas chutes incrivelmente rápidos e até mesmo flechas voadoras disparadas de longe. Quando você finalmente pega o ritmo correto a sensação de poder é simplesmente indescritível fazendo inimigos fracos morrerem instantaneamente enquanto os monstros gigantes perdem um pedaço monstruoso da barra de estabilidade punindo a audácia de tentarem te atingir.

Somado a essa defesa primorosa nós temos acesso a um arsenal riquíssimo de armas especiais muito criativas que são constantemente alimentadas pelas almas azuis deixadas pelo caminho durante a carnificina. A genialidade mora no fato de que não basta apenas balançar a espada freneticamente de um lado para o outro esperando vencer pela insistência cega. Cada arma mística possui um propósito tático muito claro e distinto nas arenas de luta mais complexas. Algumas causam queimaduras contínuas em uma grande área sendo excelentes ferramentas para o controle de multidões de monstros enquanto outras destroem a postura do inimigo muito mais rápido ou geram preciosas esferas de cura amarelas essenciais para a sua sobrevivência nos momentos de desespero. Escolher a ferramenta certa para o momento exato adiciona uma camada de estratégia deliciosa e impede totalmente que as lutas caiam na triste repetição do esmagamento de botões sem o menor cérebro.

Saindo um pouco da ação pura e sangrenta o jogo adota uma estrutura de mapa muito mais aberta e expansiva usando a belíssima cidade de Quioto como uma grande central de operações e descobertas. Você pode correr livremente pelos telhados das casas antigas vasculhar becos sujos atrás de colecionáveis raros destruir grandes flores demoníacas que cospem corrupção e juntar almas vermelhas para comprar as sonhadas melhorias de equipamento. A ambientação histórica é linda incrivelmente detalhada e cheia de vida mas para ser extremamente sincero essa parte da experiência sofre um bocado com o peso de missões secundárias muito repetitivas e sem inspiração. Sabe aquelas tarefas enfadonhas de eliminar uma quantidade exata de monstros apenas para ganhar um material de criação básico pois é elas marcam presença forte por aqui. Acaba servindo mais para encher linguiça em uma obra que já tinha conteúdo riquíssimo e fascinante para se sustentar de forma totalmente independente e orgânica. Felizmente quando deixamos essa área central urbana para trás e partimos em direção aos níveis fechados e focados na progressão linear o brilho inconfundível da franquia retorna com força total e esmagadora. Visitar florestas incrivelmente densas cheias de armadilhas santuários profanados por magia obscura e castelos imensos infestados pelas forças malignas traz de volta aquela vibração clássica de tensão e insegurança constante a cada nova porta aberta. O design arquitetônico e o planejamento visual desses estágios é simplesmente fantástico te incentivando a voltar mais tarde quando tiver poderes inéditos para destravar caminhos outrora inacessíveis e encontrar equipamentos valiosos muito bem escondidos nos cantos escuros. É um ciclo de exploração inteligente recompensador e muito bem amarrado que respeita a sua curiosidade e valoriza cada minuto do seu tempo investido de forma excepcionalmente justa.

E você sem a menor dúvida vai precisar de todo o poder e desses equipamentos secretos quando der de cara com os perigosos e aterrorizantes chefes principais da campanha épica. Os confrontos contra esses líderes demoníacos são verdadeiros espetáculos visuais de tirar o fôlego e um teste severo de tudo o que você aprendeu sobre a jogabilidade até ali. Enfrentar criaturas colossais e absolutamente bizarras como um monstro gigantesco que mistura um cão infernal com uma serpente venenosa ou um guerreiro demoníaco alado exige que você aplique perfeitamente a dança da esquiva e da defesa. Cada figura imponente possui ritmos de ataque muito diferentes forçando a sua mente a se adaptar e trocar de estratégia rapidamente sob forte pressão. A sensação gloriosa de finalmente derrubar um monstro gigante após decorar todos os movimentos dele traz uma satisfação digna dos jogos de ação mais premiados reverenciados e difíceis da atualidade.Porém nem tudo são maravilhas perfeitas e céus azuis nessa jornada sangrenta e eu preciso urgentemente puxar a orelha da desenvolvedora em relação a estrutura bizarra da reta final da história. Por algum motivo completamente inexplicável e altamente frustrante eles decidiram reciclar chefes antigos colocando apenas uma coloração diferente neles e nos forçando a lutar tudo de novo como se fossem ameaças inéditas e perigosas. E o pior de tudo é que logo antes do desfecho final o jogo exibe um aviso para concluir suas pendências e logo em seguida te joga em uma sequência de batalhas consecutivas contra esses mesmos monstros no formato de maratona cansativa. É um truque muito barato e ultrapassado usado apenas para estender a duração da campanha de maneira totalmente artificial. Quando isso acontece o sentimento de empolgação morre lentamente e dá lugar a um cansaço desnecessário que prejudica bastante o ritmo espetacular que o roteiro vinha construindo impecavelmente.

Na parte técnica e audiovisual temos altos e baixos muito bem marcados durante toda a aventura pelos confins de Quioto. As cenas de corte são absurdamente bem dirigidas belíssimas e parecem fazer parte de um filme épico de alto orçamento focado em lendas de samurais ganhando vida na sua frente. Contudo durante a exploração normal nos cenários fechados o nível de detalhes e de texturas cai um bocado mostrando uma inconsistência visual um tanto quanto curiosa para a nova geração. Outro ponto que irrita profundamente o jogador é o comportamento instável da câmera em lugares muito apertados e corredores escuros. Ela se perde nas paredes com extrema facilidade e o sistema automático de travar a mira nos inimigos frequentemente escolhe o monstro que está lá no fundo da tela ignorando a fera sanguinária que está quase mordendo o seu pescoço. Pelo menos o som ambiente é impecável embora a sincronia labial da dublagem no belo idioma original japonês deixe muitíssimo a desejar quebrando um pouco a imersão.

Colocando todas as imensas qualidades e os pontuais defeitos na balança Onimusha Way of the Sword é um baita acerto triunfal que revitaliza uma marca adormecida com muita dignidade elegância e um profundo respeito aos milhares de fãs. O combate ágil imensamente profundo e absurdamente viciante compensa de sobra os pequenos tropeços técnicos e as escorregadas na estrutura repetitiva da reta final da aventura. É um título incrivelmente robusto longo charmoso e cheio de personalidade própria que não tenta copiar os sucessos alheios mas sim forjar o seu próprio caminho banhado a sangue e trilhado pela lâmina de uma espada afiada. Se você curte a rica temática feudal japonesa e estava sentindo muita falta de um excelente jogo de ação direta focado inteiramente em habilidades pode embarcar sem o menor medo porque essa é uma daquelas experiências marcantes que grudam na sua cabeça e no seu coração por muito tempo.


REVIEW DO JOGO FEITA COM UM CÓDIGO DO JOGO CEDIDA GRATUITAMENTE PELA CAPCOM BRASIL, A QUAL AGRADEÇO

Desempenho9
Gráficos10
Gameplay9
Trilha Sonora8

Positivo

• O sistema de combate brilhante e altamente responsivo que recompensa os reflexos precisos do jogador com respostas brutais e finalizações extremamente satisfatórias em todas as lutas.
• A representação visual espetacular e a personalidade marcante do herói carregam o peso dramático da história nas costas com extrema maestria graças a inspiração em um ator lendário.
• A curva de aprendizado flui maravilhosamente bem ensinando todas as mecânicas complexas de forma orgânica e muito natural ao longo das imensas horas de duração da rica campanha principal.

Contra

– O sistema de mira automática se confunde com enorme frequência e foca nos inimigos errados durante o caos e a confusão das grandes aglomerações de monstros nas arenas pequenas.

9
Nota

Menino Neitam

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