
Demorou mais do que deveria, mas Red Dead Redemption finalmente chegou aos computadores em outubro de 2024, encerrando uma espera de aproximadamente 14 anos desde seu lançamento original. A aventura de John Marston sempre ocupou um lugar especial entre as produções da Rockstar Games, principalmente pela maneira como combina uma história emocionante com a liberdade de explorar um Velho Oeste que está desaparecendo. Agora, os jogadores de PC podem conhecer essa experiência com recursos gráficos adicionais, suporte a resoluções mais elevadas e taxas de quadros superiores às das primeiras versões de console. Entretanto, é importante esclarecer que não estamos diante de um remake. A estrutura continua sendo aquela apresentada em 2010, com suas qualidades extraordinárias e algumas limitações que o tempo tornou mais evidentes.
Uma história sobre as consequências do passado

A campanha acompanha John Marston, um antigo fora da lei que tenta abandonar sua vida criminosa para construir um futuro tranquilo com a família. Seus planos acabam interrompidos quando agentes do governo o obrigam a perseguir antigos integrantes da gangue da qual fazia parte. A narrativa acontece em 1911, quando a expansão da civilização começa a transformar o oeste americano e personagens acostumados a viver longe das autoridades precisam enfrentar uma realidade diferente. O interessante é que John não representa exatamente um herói. Ele possui um passado violento, cometeu diversos erros e sabe que nem todas as consequências de suas escolhas podem ser apagadas. Essa complexidade torna sua jornada especialmente envolvente e ajuda a explicar por que ele permanece entre os protagonistas mais lembrados da Rockstar.
Existe também um cuidado enorme na construção dos personagens secundários. Bonnie MacFarlane, Nigel West Dickens e outras figuras encontradas durante a campanha possuem personalidades próprias, contribuindo para que a história não dependa exclusivamente dos conflitos do protagonista. Alguns encontros apresentam situações engraçadas, enquanto outros mostram um lado bastante cruel de uma sociedade marcada pela desigualdade e pela corrupção. O roteiro utiliza essas relações para discutir temas como lealdade, família e transformação, sem abandonar o humor ácido característico do estúdio. Para quem conheceu primeiro Red Dead Redemption II, essa aventura ganha uma importância adicional, pois apresenta acontecimentos posteriores à história de Arthur Morgan. Mesmo assim, o primeiro Red Dead Redemption funciona perfeitamente sem exigir conhecimento prévio da franquia.
Explorar o mapa ainda é uma das melhores partes

Uma das características mais interessantes de Red Dead Redemption é a maneira como o cenário consegue despertar curiosidade. Diferentemente de muitos jogos atuais, que frequentemente apresentam mapas repletos de marcadores e tarefas, aqui a exploração possui um ritmo mais tranquilo. Existem pequenas cidades, desertos, fazendas, montanhas e regiões afastadas que ajudam a construir uma atmosfera convincente. Viajar a cavalo não serve apenas para alcançar o próximo objetivo, mas também para descobrir acontecimentos que surgem pelo caminho. Um encontro com criminosos pode interromper uma viagem, enquanto a presença de animais selvagens pode transformar uma simples exploração em uma situação perigosa. Essa imprevisibilidade contribui para que o mundo pareça vivo, mesmo sem apresentar a quantidade de sistemas encontrados em produções mais recentes.
As atividades secundárias também continuam oferecendo bastante conteúdo. John pode participar de partidas de pôquer, procurar criminosos procurados, caçar animais, realizar desafios específicos e ajudar desconhecidos que aparecem durante a exploração. O sistema de honra acrescenta outra camada à experiência, permitindo que determinadas atitudes influenciem a reputação do protagonista. Essas possibilidades ajudam a criar uma ligação maior com o mundo, embora algumas atividades sejam relativamente simples para os padrões atuais. Outro mérito está na duração da campanha, que consegue apresentar uma jornada extensa sem depender constantemente de tarefas repetitivas para prolongar artificialmente a experiência. A Rockstar encontrou um equilíbrio interessante entre contar uma história e permitir que o jogador aproveite o cenário por conta própria, algo que continua funcionando muito bem.
O PC oferece a fluidez que o jogo merecia

A principal vantagem desta versão está nas possibilidades técnicas oferecidas pelos computadores. Red Dead Redemption recebeu suporte a resoluções mais elevadas, taxas de quadros superiores às dos consoles originais, HDR e tecnologias de reconstrução de imagem, incluindo NVIDIA DLSS e AMD FSR. Também existem opções voltadas a monitores ultrawide, permitindo aproveitar uma área maior da paisagem. Naturalmente, os resultados dependem da configuração utilizada e das opções gráficas escolhidas, mas a possibilidade de jogar com maior fluidez representa uma diferença importante. Os confrontos ficam visualmente mais suaves, a movimentação da câmera se beneficia da taxa de quadros elevada e os deslocamentos a cavalo ganham uma apresentação mais agradável. São melhorias que não alteram o conteúdo, mas valorizam bastante sua experiência.
Entretanto, a versão de PC não transforma completamente a apresentação gráfica. Os modelos dos personagens, as animações faciais e diversos elementos dos cenários continuam revelando a idade do projeto original. Algumas texturas parecem simples quando observadas em resoluções elevadas, enquanto determinadas movimentações dos cavalos apresentam comportamentos pouco naturais. Também existem relatos de falhas visuais e situações inesperadas envolvendo personagens e animais. Esses problemas não anulam as melhorias, mas demonstram que a conversão poderia ter recebido ajustes adicionais. O trabalho realizado pela Double Eleven preserva a identidade do jogo e oferece recursos importantes para computadores modernos, embora esteja distante de uma reconstrução visual semelhante àquela encontrada em Red Dead Redemption II. Mesmo depois de tantos anos, o sistema de combate permanece bastante competente. Revólveres, rifles e escopetas oferecem diferentes possibilidades durante os confrontos, enquanto a utilização de coberturas ajuda a organizar os tiroteios. O grande destaque continua sendo o Dead Eye, habilidade que permite desacelerar o tempo e marcar inimigos antes de executar uma sequência de disparos. Essa mecânica combina perfeitamente com a proposta cinematográfica da aventura e continua sendo extremamente satisfatória. No PC, o suporte a taxas de quadros mais elevadas contribui para uma apresentação mais suave dessas situações, embora os controles ainda mantenham características do lançamento original. A inteligência artificial apresenta comportamentos previsíveis em determinados momentos, e algumas animações podem parecer rígidas. Ainda assim, os confrontos possuem personalidade suficiente para continuar divertindo.
A estrutura das missões também merece uma observação. Red Dead Redemption começa de maneira relativamente calma, apresentando personagens e atividades que ajudam a estabelecer o funcionamento daquele mundo. Algumas tarefas iniciais envolvem deslocamentos, pequenos trabalhos e situações menos intensas, algo que pode causar estranhamento em quem espera ação constante. Entretanto, conforme a campanha avança, os objetivos se tornam mais elaborados e a narrativa ganha força. A experiência alterna momentos de tensão com períodos de exploração, criando um ritmo que combina com a história de John. É justamente essa mistura que diferencia Red Dead Redemption de tantos outros jogos de ação. O título não precisa transformar cada missão em um espetáculo para manter o interesse, pois seus personagens e conflitos já oferecem motivos suficientes para acompanhar a aventura.
Undead Nightmare continua sendo um excelente complemento
A edição de PC também inclui Undead Nightmare, expansão que apresenta uma história alternativa envolvendo uma infestação de mortos-vivos no Velho Oeste. O conteúdo modifica completamente o clima da experiência, substituindo parte do drama da campanha original por uma aventura que combina terror, ação e humor. John precisa enfrentar criaturas perigosas, proteger comunidades e descobrir maneiras de lidar com a ameaça que se espalhou pelo território. Apesar de utilizar a mesma estrutura básica de jogabilidade, a expansão oferece situações diferentes e exige maior atenção ao gerenciamento de munição. A presença de Undead Nightmare valoriza bastante o pacote, principalmente para quem nunca teve a oportunidade de conhecer esse conteúdo. É uma demonstração interessante de como a Rockstar consegue experimentar novas ideias sem abandonar a personalidade de seus jogos.
Nem tudo foi aproveitado nesta conversão

Um dos pontos menos interessantes do lançamento para PC é a necessidade de utilizar uma conta da Rockstar Games e integrar o jogo ao launcher da empresa, mesmo quando a compra acontece por plataformas como o Steam. Essa exigência acrescenta uma etapa que poderia ser evitada em uma experiência essencialmente individual. Outro aspecto negativo está na ausência do multiplayer original, que permitia explorar o cenário e participar de atividades com outros jogadores nas versões de 2010. Embora a campanha principal e Undead Nightmare ofereçam bastante conteúdo, a remoção desse recurso significa que a adaptação não preserva integralmente todas as funcionalidades do lançamento antigo. Considerando o tempo que os jogadores de PC aguardaram pela chegada de Red Dead Redemption, seria interessante encontrar uma edição mais completa, especialmente com algumas melhorias adicionais nas animações e nos sistemas mais antigos.
Veredito

Red Dead Redemption no PC representa a chegada de um dos maiores clássicos da Rockstar Games a uma plataforma que deveria ter recebido essa aventura há muito tempo. A história de John Marston continua emocionante, o mundo aberto preserva sua atmosfera extraordinária e o Dead Eye permanece uma das mecânicas mais marcantes da franquia. Os recursos gráficos adicionais e a possibilidade de utilizar taxas de quadros mais elevadas tornam esta uma excelente opção para conhecer ou revisitar o jogo. Entretanto, algumas limitações técnicas, a ausência do multiplayer e a obrigatoriedade do launcher demonstram que a conversão poderia ter sido mais ambiciosa. Mesmo assim, a qualidade da experiência original continua sendo seu maior diferencial. Red Dead Redemption não precisa de uma reconstrução completa para demonstrar por que conquistou tantos jogadores, embora uma modernização mais profunda certamente fosse bem-vinda.
REVIEW REALIZADA COM UM CÓDIGO DO JOGO CEDIDO GRATUITAMENTE PELA ROCKSTAR GAMES, À QUAL AGRADEÇO.
O fornecimento do código não interfere na independência da avaliação editorial.
Positivo
- História emocionante, com John Marston entre os protagonistas mais marcantes da Rockstar Games.
- Mundo aberto envolvente, com excelente ambientação e diversas atividades secundárias.
- Suporte a resoluções elevadas, taxas de quadros superiores, HDR e tecnologias como DLSS e FSR.
- Combate divertido, trilha sonora marcante e inclusão da excelente expansão Undead Nightmare.
Contra
- Modelos de personagens, animações e algumas mecânicas apresentam sinais de envelhecimento.
- Possibilidade de falhas visuais e comportamentos inesperados durante a exploração.
- Necessidade de integração com o Rockstar Games Launcher.
- Ausência do multiplayer original e poucas melhorias estruturais em relação ao jogo de 2010.

