Uncategorized

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 )

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 ) - Image 1

Assassin’s Creed Shadows finalmente chegou ao Nintendo Switch 2 e, de cara, dá para dizer: este não é só “mais um port”. A Ubisoft trouxe para o híbrido da Nintendo praticamente a mesma experiência que vimos no PS5, Xbox Series e PC, com apenas alguns sacrifícios técnicos bem calculados, sem mexer na estrutura, na história ou nos sistemas centrais do jogo. Para quem sonhava em explorar o Japão feudal em modo portátil com um Assassin’s Creed completo, Shadows no Switch 2 cumpre essa fantasia com uma competência surpreendente.

A campanha acompanha duas trajetórias que se cruzam de forma constante: Naoe, uma shinobi ágil, especialista em infiltração e assassinatos silenciosos, e Yasuke, o lendário samurai de origem africana, que funciona como uma máquina de guerra ambulante. A narrativa se passa no fim do período Sengoku, numa fase em que o Japão está em transformação e figuras históricas como Oda Nobunaga moldam o futuro do país. O enredo mistura vingança pessoal, conspirações políticas e os elementos típicos da mitologia Assassin’s Creed, com Templários, conspirações nas sombras e o Animus em um papel bem mais discreto, quase de bastidor. Não é a história mais revolucionária da série, mas o contexto histórico é tão rico e bem explorado que o jogador se vê fisgado, especialmente se curte cultura japonesa.

A grande sacada de Shadows é como ele diferencia, na prática, os dois protagonistas. Naoe é Assassin’s Creed raiz: se esgueira pelos telhados, apaga tochas para mergulhar o cenário na escuridão, usa a lâmina oculta para execuções instantâneas e depende de ferramentas como shuriken, bombas de fumaça e cordas para controlar o campo de batalha sem ser vista. Já Yasuke é o oposto: pesado, direto, brutal. Ele rompe portões, derruba inimigos com golpes devastadores, domina grupos inteiros com lanças, katanas pesadas e armas de fogo da época. O jogo não tenta “equilibrar” os dois para que pareçam iguais; abraça as diferenças e obriga o jogador a pensar a abordagem de cada missão de maneira distinta.

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 ) - Image 2

Essa dualidade se reflete de forma clara no ritmo da campanha. Algumas missões são exclusivas de um personagem, outras permitem escolher quem levar para o objetivo. Entrar num castelo fortemente protegido como Naoe vira um exercício de paciência, observação e uso das sombras. Fazer o mesmo com Yasuke transforma o cenário num campo de batalha caótico, em que o desafio é sobreviver ao cerco enquanto tudo explode ao redor. Alternar entre essas duas “personalidades de gameplay” evita que o jogo caia na repetição típica dos mundos abertos gigantes e oferece ao jogador a sensação real de ter dois estilos de jogo dentro de um único título. O sistema de combate, tanto no stealth quanto na ação aberta, é um dos pontos altos de Shadows. Cada personagem possui árvores de habilidades próprias, com movimentos especiais, contra-ataques, técnicas de esquiva, diferentes armas e builds interessantes que podem ser montadas de acordo com o estilo de cada jogador. Naoe brilha com armas como o kusarigama e técnicas que combinam controle de multidão com finalizações furtivas, enquanto Yasuke se destaca em combos pesados, uso de teppo (armas de fogo) e ferramentas explosivas. O combate é mais cadenciado e punitivo do que em alguns episódios anteriores, especialmente se o jogador tenta resolver tudo na pancada jogando com a shinobi, mas recompensador quando você aprende a ler o ritmo dos inimigos.Em termos de estrutura de mundo aberto, Assassin’s Creed Shadows segue o padrão moderno da série: um mapa vasto, repleto de bases para infiltração, fortalezas, aldeias, estradas, cidades grandes e uma quantidade generosa de missões secundárias, contratos, atividades paralelas e mini-histórias espalhadas por toda a região de Kansai. O grande diferencial aqui é a sensação de “vida” do Japão feudal: a mudança de estações altera a atmosfera, a rotina dos NPCs muda de acordo com o horário do dia, guardas se reorganizam para se aquecer no inverno, vilarejos respiram um cotidiano crível. O cenário não é apenas um fundo bonito, mas parte ativa da fantasia de viver naquele período histórico.

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 ) - Image 3

Outro ponto que ajuda muito na imersão é o sistema de sombras e visibilidade, que justifica o título Shadows. A furtividade não se limita a arbustos mágicos que escondem o jogador; o posicionamento em relação à luz e à escuridão realmente importa. Apagar lanternas, usar a noite a seu favor e aproveitar áreas naturalmente sombreadas diminui a chance de ser detectado. O jogo apresenta um medidor de visibilidade que comunica bem, de forma clara, quão exposto você está. Somado a isso, o ciclo de dia e noite e as estações do ano não são só enfeite: influenciam rotinas, patrulhas, pontos fracos e até oportunidades de ataque furtivo, tornando cada invasão um pequeno quebra-cabeça sistêmico.

Shadows também traz um sistema de base/refúgio em que o jogador pode investir recursos para construir estruturas, convidar aliados e desbloquear melhorias. Esses aliados, encontrados ao longo da história e de missões paralelas, trazem pequenas tramas próprias que aprofundam o contexto social e político da época. As escolhas de diálogo raramente mudam o rumo da narrativa principal, mas ajudam a moldar o tom das relações e, claro, decidem se aquele personagem passa a integrar oficialmente o grupo. Não é um RPG profundo como os jogos da fase Origins/Odyssey/Valhalla, mas existe um toque de personalização e de pertencimento que combina bem com a proposta.

No campo artístico e sonoro, Assassin’s Creed Shadows é um colírio. A direção de arte abraça cenários rurais cheios de campos de arroz, templos, castelos fortificados, florestas densas e cidades que misturam tradição e turbulência política. A trilha sonora, com forte influência de instrumentos tradicionais japoneses, alterna momentos contemplativos, quase meditativos, com faixas de combate intensas e cheias de energia. Os efeitos de som, tanto da natureza quanto das cidades, criam uma paisagem sonora rica, em que o jogador reconhece o aproximar de uma tempestade, o silêncio estranho antes de uma emboscada ou o burburinho de um mercado em plena atividade.

Chegando ao ponto que mais interessa para quem está pensando na versão de Nintendo Switch 2: o desempenho técnico. Shadows roda focado em 30 quadros por segundo, tanto no modo dock quanto no modo portátil, utilizando DLSS para aumentar a nitidez da imagem e técnicas de iluminação global no lugar de ray tracing completo. O resultado, no geral, é muito bom. Nas áreas abertas, cavalgando por campos ou florestas, o jogo mantém uma fluidez convincente e impressiona pela quantidade de detalhes, folhagens, partículas e objetos de cenário exibidos simultaneamente, algo que, num primeiro momento, nem parece “coisa de portátil”.

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 ) - Image 4

É claro que existem concessões. Nas grandes cidades, especialmente em áreas muito povoadas, o frame rate às vezes cai um pouco abaixo dos 30 quadros, o que não chega a tornar o jogo injogável, mas é perceptível para olhos mais exigentes. A iluminação, embora bonita, não chega ao mesmo nível das versões de consoles mais fortes, com sombras um pouco mais lavadas e reflexos de água e cabelo que destoam do restante da cena. Alguns modelos de personagens em close podem parecer menos detalhados, e certas texturas do cenário perdem definição quando vistas bem de perto. Nada disso derruba a experiência, mas é bom alinhar a expectativa: é um port ambicioso, não uma cópia visual perfeita. Em modo portátil, a situação é um pouco mais sensível. A tela menor disfarça alguns serrilhados e perda de resolução, mas também torna mais evidente qualquer borrão gerado pela combinação de resolução dinâmica, DLSS e efeitos pesados. A experiência continua sólida e impressionante para um dispositivo portátil, porém quem busca a melhor apresentação visual possível provavelmente vai preferir jogar no dock, em uma TV grande, onde o conjunto de arte, performance estável na maior parte do tempo e a escala do mundo aberto se destacam com mais força.

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 ) - Image 5

Um detalhe positivo é a integração com Ubisoft Connect, que permite carregar progresso entre plataformas. Se você começou Assassin’s Creed Shadows em outro console ou no PC, pode trazer seu save para o Switch 2 e continuar de onde parou, o que é excelente para quem quer alternar entre jogar no sofá e jogar em modo portátil. Além disso, todo o conteúdo essencial e atualizações de qualidade de vida já lançadas nas outras versões estão presentes aqui, incluindo modos adicionais pós-campanha e ajustes finos de gameplay. A principal ausência, no momento, são expansões específicas que chegam depois, vendidas separadamente, então o pacote base ainda é muito robusto, mas não totalmente “definitivo”. Como jogo, Assassin’s Creed Shadows mantém alguns vícios típicos da fase “mundo aberto gigantesco” da série. Ainda há missões que se resumem a longas caminhadas, conversas e retornos ao ponto de partida para engatar a próxima tarefa em fila. Em algum momento, depois de dezenas de horas, a sensação de já ter invadido variações do mesmo castelo ou vila se torna inevitável. Menus de inventário, construção e comércio continuam mais carregados e menos intuitivos do que poderiam ser, especialmente para quem joga no modo portátil e navega com os controles tradicionais. Ainda assim, a combinação de dualidade de protagonistas, profundidade do combate, riqueza cultural e ambientação faz Shadows se destacar como um dos capítulos mais inspirados da fase moderna da franquia.

Assassin’s Creed Shadows Review ( Nintendo Switch 2 ) - Image 6

No conjunto, Assassin’s Creed Shadows no Nintendo Switch 2 é um pequeno milagre técnico e um capítulo narrativo muito forte para a série. Ele entrega um Japão feudal vivo, estiloso e cheio de histórias, oferece duas formas completamente diferentes e divertidas de jogar, e consegue manter boa parte do impacto visual e da escala do jogo mesmo em um hardware mais limitado. Não é perfeito, tem quedas pontuais de desempenho e alguns elementos técnicos claramente reduzidos, mas, como experiência geral, é facilmente um dos melhores mundos abertos disponíveis hoje no console da Nintendo e um prato cheio para fãs de Assassin’s Creed que querem levar a saga no bolso.

Chave do jogo cedida gratuitamente pela Ubisoft Brasil, a qual eu agradeço demais pela oportunidade 

Desempenho7
Gráficos9
Gameplay10
Trilha Sonora9

Positivo

• Japão feudal extremamente bem construído, com forte imersão cultural, mudanças de estação e sensação de mundo vivo.

• Port para Switch 2 surpreendentemente fiel ao original, com bom uso de DLSS, HDR e desempenho sólido na maior parte do tempo.

• Sistema de combate profundo e prazeroso, trilha sonora marcante e design de som que reforça a atmosfera de cada região e situação.

Contra

– Quedas de frame rate em áreas mais povoadas e momentos de maior carga visual, especialmente perceptíveis para quem é sensível a performance.

9,0

Nota


full-width

Menino Neitam

About Author

Veja mais

Uncategorized

Dragon Quest Builders 2 chega ao Xbox Game Pass em 4 de maio

Prepare-se para colocar seu capacete, pegar suas ferramentas e começar a construção. Você poderá embarcar em uma jornada épica e
Games with Gold: Maio 2021 – Menino Neitam - Image 1
Uncategorized

Games with Gold: Maio 2021 – Menino Neitam

A programação Games with Gold maio com está aqui! No Xbox One e nos Xbox Series X|S, lute para reivindicar